Tornei-me fria, tornei-me uma
pessoa que bloqueia os sentimentos e que por vezes é arrogante demais. Talvez
me tenha tornado este tipo de pessoa por já me ter magoado antes, pois antes
era uma menina indefesa em que achava que a vida era um mar de rosas onde tudo
acabava bem e que se vivia feliz para sempre só com uma pessoa, que as pessoas
que amamos não nos magoam e que essas pessoas vão permanecer para sempre ao
nosso lado. Estás a ler isto e estás a pensar que isto já se passou contigo e
agora pensas que se calhar não é culpa tua teres-te tornado nesse tipo de
pessoa que és agora. Tornamo-nos pessoas mais frias para nos protegermos, para
nos defendermos de algo que já nos arruinou por dentro. Arruinou-nos de tal
maneira que perdemos a confiança em todas as pessoas, mas não devemos comparar
uma pessoa no meio de milhões, porque por mais incrível que te parece, há
sempre alguém por aí que irá ser o ideal de ti, a tua cara-metade. A verdade é
que a melhor maneira de não nos magoarmos é ao bloquearmos os nossos
sentimentos, aprendemos a fazer isso à medida que vamos cicatrizando de amores
antigos. Criamos um muro em nosso torno, onde só os mais corajosos têm a
coragem de passar e de ficar connosco. Aprendemos que ao ficarmos frios
deixamos de sentir com tanta intensidade, passamos a dar mais valor aos dias e
deixamos de nos preocupar com o amanhã, porque o dia é hoje, não é o passado
nem o futuro. Tudo muda, afinal o mundo está em constante mudança. As pessoas
mudam, as pessoas crescem e acredita que vai haver sempre alguém que não vai
gostar do teu “novo eu”, vai haver sempre alguém a criticar-te, vai haver
sempre alguém com inveja de ti e haverá sempre alguém que te odiará de morte
por querer ser como tu. Com isto tudo também aprendemos a ser mais fortes,
porque afinal com tudo o que passamos na vida aprendemos a estarmos mais
preparados para novas coisas que a vida nos ensina. Tornamo-nos menos fúteis e
mais atentos ao que poderemos fazer, pois já não somos as pessoas indefesas que
éramos. Aprendi que ao ser fria tornei-me dona de mim, pois aprendi a lidar com
os meus sentimentos, com o meu passado, com o meu presente e talvez, quem sabe,
com o meu futuro.
E era o simples toque dele que a deixava feliz, que a deixava arrepiada. O toque dos lábios dele, o encostar da cabeça dela no peito dele, os abraços calorentos, os beijos intensos debaixo dos lençóis era tudo o que mais gostavam. Era tudo o que bastava. Terem-se um ao outro. Pois quando estavam juntos sentiam que tinham o mundo nas suas mãos pois eles eram o mundo um do outro.